Há mais de dois meses à espera que o Presidente marque uma reunião, que foi pedida com carácter de urgência, o Movimento Cívico de Barqueiros, que luta contra a exploração de caulino no centro da freguesia, promoveu este Domingo uma marcha lenta de protesto.
Mais de meia centena de carros saíram da freguesia até aos Paços do Concelho, onde o Movimento pretendia entregar aos responsáveis autárquicos um dossier com as razões do seu protesto. Só que na Câmara não estava ninguém para os receber. O porta-voz do Movimento acabou por deixar os documentos ao segurança dos Paços do Concelho.
Aos jornalistas mostrava a sua revolta por Miguel Gomes não se ter dignado aparecer: "A cidadania que ele tanto apregoa, parece que não interessa para os Barqueirenses. O Sr. Presidente disse num discurso, que nunca irá deixar ninguém de fora, e que a política do chapéu na mão acabou. Eu pergunto quem é que está aqui para nos receber. Caulinos em Barqueiros nunca foi política, e só começa a ganhar contornos de política quando tomou esta posição".
Depois desta jornada de luta, o Movimento promete continuar a pugnar pelo melhor para a população, continuando a reivindicar a realização de um referendo.
PSD, BE e PCP solidários com o Movimento
Apesar do Movimento afirmar que não tem ligações políticas, aceitou a solidariedade de vários partidos, que fizeram questão de estarem presentes.
José Maria Cardoso, do Bloco de Esquerda, entregou-lhes o requerimento feito na Assembleia da República sobre a matéria. Este responsável repudiou a posição da Câmara Municipal ao não receber o Movimento: "Isto, para nós, é surpreendente, e repudiamos veementemente esta posição. É uma atitude anti-democrática de uma Câmara que se diz em defesa dos cidadãos".
O líder do Bloco considerou ainda que a manifestação demonstrou que "não há paz social na freguesia".
No mesmo sentido foram as palavras de Mário Figueiredo. O líder do PCP concelhio considera "justa" a luta do povo de Barqueiros e "lamenta a atitude da Câmara que contraria o slogan de que Barcelos é dos cidadãos".
Também Nuno Reis, deputado do PSD, lembrou que o partido está "historicamente ao lado da luta da população" e que a ausência do executivo é "uma questão de cultura democrática"
Miguel Gomes responde ao Movimento Cívico de Barqueiros
Costa Gomes diz que não recebeu o Movimento durante a manifestação porque não lhe pediram audiência e que este está a ser "instrumentalizado"
Esta é a resposta às críticas dos responsáveis pelo Movimento, que está contra a exploração de caulino no centro de Barqueiros, e que não teve ninguém a recebê-los no passado Domingo. (Ver notícia na página ao lado)
Passando ao ataque, o autarca aconselha o Movimento a "preocupar-se com a sua própria legalização. Não podemos estar a falar para pessoas que não estão organizadas". Por outro lado, considera que o Movimento está instrumentalizado: "Basta ver quem são os líderes desse suposto Movimento Cívico. São as pessoas que perderam as eleições em Barqueiros e devem resolver as suas oposições partidárias na sua autarquia, não envolvendo o Município nesta instrumentalização que me parece que existe claramente".
Miguel Gomes diz também que os processos de exploração competem ao poder central, que os tribunais já decidiram, pelo que não compete à Câmara estar agora a contestar essas decisões.